quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ano novo: a calcinha amarela, o "amigo" e a piscina - parte I

Eu deveria ter feito um “print screen” no meu horóscopo pré-Reveillon só para provar a mim mesma que sou teimosa e sempre faço o oposto daquilo que me sugerem. Sempre.
Mas juro que pretendia seguir à risca tudo o que havia lido até então. “Aproveite o momento em que suas energias estão mais baixas para meditar e refletir sobre você e seus sentimentos”, dizia o infalível horóscopo do Terra. Eu acreditei piamente nisso. Estava disposta a esperar a meia noite e morrer dormindo para acordar em um novo e lindo 2011.
Estava disposta, mas não o fiz.


Sob pressão e ameaças de morte (mentira, é só pra causar mais furor à história) provenientes do casal – Pi e Carrrrlos – me rendi e resolvi participar da festa da virada na casa do famoso RR – aquele que é meu “amigue”. Pensei que não passaria das duas da manhã de tanto sono, então, levei comigo uma garrafa de Tournée – uma champa digníssima da Freixenet. Pi levou no colo uma Freixe – A íntima da champa.

Chegando à casa amarela, entrei em pânico: minas, minas e mais minas. Para onde eu olhasse só encontrava pessoas do mesmo sexo que eu. Desesperei-me, afinal, já que eu saí, que pelo menos a saída rendesse algo, não é? E nada. Aquelas bruacas cafonas tomavam conta do dancefloor. Uma hora dessas, meu corpinho ruivo começava a sentir os primeiros sinais da chegada de Maysa – a musa quando fala o coração. Abracei todo mundo, desejei um ótimo 2011 e, provavelmente, comecei a falar abobrinhas. Como não poderia deixar de ser, cumprimentei o anfitrião, que me recebeu de braços abertos.

Eu e Pi, então, iniciamos os trabalhos alcoólicos. Em questão de pouco (pouquíssimo) tempo, as duas garrafas que tínhamos secaram – com direito a goles infinitos no bico e arrotos mil na cara do Carrrrlos. Pronto! Ela chegou! Era o que estava faltando para temperar noite: Maysa.

Depois que ela se instalou em nossos corpinhos delicinha, ninguém nos segurou. Segundo fontes muito confiáveis, éramos projetos de Taz Mania. Não parávamos de andar e andar e andar da frente da casa para o dancefloor, do dancefloor para a frente da casa, da frente da casa para o banheiro...
Eis o banheiro.

A uma altura destas, a festa bombava. As bruacas cafonas já não eram maioria e davam espaço a bophs de toda sorte. Lembro-me de sentir os pelos ouriçando frente à quantidade de XY no local. Mas como é de se saber, todo o lugar lotado, possui banheiros infernais. Como Pi e eu somos ladies do high society provinciano (mentira), jamais poderíamos desovar as Freixes que em nós residiam naqueles vasos fétidos e imundos. Portanto, nossa única saída foi apelar para o meu “amigue” RR, proprietário do único banheiro chaveado da residência. Querido que é, ele nos concedeu a honra de fazermos pipi no seu matadouro território.

E mais uma vez o banheiro aparece em minha vida.
Estava eu lá, liberando meu álcool enquanto Pi conversava com o amigue. Quando eu saía do banheiro “surprise”! Pi nos deixou sozinhos. Pelo visto não só mamãe que deseja que formemos um casalfelizparasempre. Como podem imaginar...sim. Beijei o amigue. (só para constar: em 2010 eu já havia beijado o amigue) Isso deve ter acontecido no mínimo umas três ou quatro vezes ao longo da madrugada. Sempre às escondidas, permitindo assim, que nos aproveitássemos de outras pessoas que por lá transitavam – amigo é pra essas coisas, não?

Depois de retomar a sanidade, sempre voltava para a festa que, naquele momento tocava muitas, mas muitas músicas ruins, escolhidas a dedo pelo amigo que DORMIU comigo num colchão ortopédico. Sim. O talento dele não se esgota numa bela noite de sono, ele também sabe como ninguém a fórmula para estragar uma festa. Mais uma vez, segundo minhas fontes, eu estava enlouquecida seduzindo muito o tal dorminhoco. Sem efeito, claro.

Cansada de ouvir tanta música desagradável, resolvi tomar novos rumos e colocar em prática meus dotes jornalísticos entrevísticos. Comecei uma sessão “quem pega quem na Globo”? com o amigo atorglobal que por lá estava. Coitado, deve ter me odiado. Perguntei montes de asneiras e devo ter falado uma infinidade de coisas que ele não queria saber. Ah sim, detalhe: todo o interrogatório aconteceu na piscina, mas ainda não dentro dela – calma! Estávamos – por que raios? – abraçados no quiosque/ ilha. Quando Carrrrrlos conseguiu resgatá-lo, Pi e eu ficamos tristes. Não tínhamos mais com quem conversar. Então, que tal pular as sete ondas do ano novo? Como a morada do amigue RR fica a poucas quadras da praia saímos correndo portão afora, de mãos dadas – gays – rumo ao mar. Subimos as dunas e pulamos as malditas. Depois, voltamos correndo como se não houvesse amanhã. Tudo isso, como sabem, bebaças.


CONTINUA

2 Comentários:

IngriD disse...

Essa história é tão boa ao vivo quanto escrita :D

Pi disse...

Eu por instantes esqueci da corrida nas dunas com medo das pessoas que la poderiam estar!! Nosso ano não será o mesmo depois das 7 ondinhas!!!hahahaha

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